Nos últimos anos, medicamentos como os agonistas do receptor de GLP-1 ganharam enorme destaque no tratamento da obesidade e do diabetes. Um dos exemplos mais conhecidos é o Mounjaro® (tirzepatida), que, tecnicamente, atua sobre dois sistemas hormonais: GLP-1 e GIP.
Mas será que essas medicações têm alguma relação com o câncer de mama?
Essa é uma pergunta importante e que ainda está sendo estudada.
Nós sabemos que obesidade, resistência à insulina, alterações metabólicas e inflamação crônica estão associadas a um maior risco de diversas doenças, inclusive alguns tipos de câncer. O excesso de gordura, principalmente a gordura visceral, não é simplesmente um depósito de energia: ele participa de processos metabólicos e inflamatórios que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas.
Por isso, quando uma pessoa com indicação médica utiliza uma dessas medicações e consegue uma perda de peso significativa e sustentável, podemos ter benefícios que vão muito além da balança: melhora do metabolismo, redução de ansiedade e compulsão alimentar, redução da gordura visceral, melhora da resistência à insulina e, potencialmente, redução de alguns processos inflamatórios.
E isso pode ter uma repercussão positiva sobre a saúde como um todo.
Mas é muito importante fazer uma ressalva: ainda não podemos dizer que Mounjaro, semaglutida ou outros medicamentos dessa classe previnem o câncer de mama. Estudos recentes são bastante interessantes e não mostram aumento do risco de câncer de mama com os agonistas de GLP-1. Algumas pesquisas observacionais também sugerem uma possível redução do risco de determinados cânceres relacionados à obesidade. Porém, esses resultados ainda precisam ser confirmados por estudos de longo prazo especificamente desenhados para avaliar prevenção de câncer.
Portanto, devemos enxergar essas medicações como ferramentas importantes dentro de um tratamento completo da obesidade e das alterações metabólicas, e não como uma “caneta milagrosa”.
Outro ponto fundamental é a alimentação.
Quando a pessoa perde muito peso rapidamente e reduz excessivamente a ingestão de alimentos, especialmente de proteínas, pode ocorrer perda de massa muscular. Por isso, durante o tratamento, é fundamental cuidar da qualidade nutricional, garantir uma ingestão adequada de proteínas e, quando indicado, associar exercícios de resistência para preservar a massa muscular e reduzir o risco de sarcopenia.
E existe uma regra que considero fundamental:
Essas são medicações que precisam de indicação, acompanhamento e acompanhamento médico individualizado.
Não existe uma dose ideal para todo mundo, nem existe um momento igual para todos os pacientes. É preciso avaliar idade, peso, composição corporal, metabolismo, alimentação, atividade física, histórico médico, medicamentos em uso e os objetivos de cada pessoa.
No caso das mulheres, inclusive, devemos olhar para a saúde de uma maneira ampla: peso saudável, equilíbrio mental, atividade física, alimentação equilibrada, sono, controle metabólico, acompanhamento ginecológico e mamário e realização dos exames de rastreamento indicados para cada faixa etária e nível de risco.
A mensagem principal é simples:
Cuidar do peso é também cuidar da saúde metabólica. E cuidar da saúde metabólica pode contribuir para reduzir diversos fatores associados às doenças crônicas.
Os medicamentos agonistas de GLP-1 podem ser uma ferramenta muito importante para algumas pessoas, mas devem fazer parte de uma estratégia individualizada, com alimentação adequada, preservação da massa muscular, atividade física e acompanhamento médico.
Não é apenas perder peso. É perder gordura, preservar músculo e ganhar saúde.
Lembre-se sempre: “ Mama bonita é mama saudável “ e “ a chave da sua saúde está com você!”





